EU QUERIA ESTAR NO LIMBO

Todas — Ricardo Saldanha @ 17:06

Estou aqui hoje pra compartilhar com vocês uma coisa que tem me passado pela cabeça desde a semana passada. Parece meio estranho até. Ainda mais pra quem anda pela rua todo dia, assim como eu. Mas tirem suas próprias opiniões.

Na semana passada fiquei adoentado. Tal fato me rendeu dois dias afastado do trabalho. Como estava de repouso absoluto e a família na praia, minha única companhia foi a televisão. Quando estou na frente dela, me sinto mais inclinado a assistir programas esportivos, musicais e jornalísticos. Assistindo um deste último tipo, me deparei com uma matéria que fazia parte de uma série que falava sobre a Suécia. Um telespectador menos interessado pensaria: “e por que cargas d’água uma emissora faz uma série de reportagens sobre a Suécia?” , afinal de contas, a maioria de nós aqui não sabe muito a respeito desse país. Mas o desenrolar pode nos trazer a possibilidade de avaliar a realidade em que vivemos aqui, praticamente do outro lado do mundo. Continuando: nessa matéria eram abordados vários aspectos da qualidade de vida do tal país. Coisas como a preocupação com o meio-ambiente utilizando veículos não poluentes, a licença maternidade/paternidade que é de 400 dias e pode ser dividida pelo casal da forma que entenderem ser melhor, o incentivo do governo para aumentar a taxa de natalidade com intenção de tornar a média etária da população mais jovem e os supermercados na Suécia. Os últimos dois temas acima foram os que mais em chamaram a atenção.

Sobre natalidade: vocês sabiam que lá o governo PAGA US$1.000,00 mensalmente para cada filho que o casal tiver. Paga até os 18 anos ou até os 21 se ele estiver estudando. Eles alegam que precisam “tornar a população mais jovem”, pois a média de idade lá está cada vez mais alta.

Agora sobre os supermercados: me deixou boquiaberto ver o repórter dizendo que lá não tem operadores de caixa nos estabelecimentos. O cliente simplesmente entra, pega um carrinho que tem um leitor  de códigos de barra e registra as próprias compras. Podemos ver que se o cliente quiser tirar vantagem – dizem que lá não ocorre – ele pode deixar de registrar algumas coisas do carrinho. E o que mais espanta é o fato de também não ter ninguém para fiscalizar se estão registrando os produtos ou não!

Quando acabou a tal matéria, mudei de canal. Parei em outro e começou a minha confusão mental.

Na outra emissora, estava sendo apresentada uma matéria sobre o desenvolvimento do Brasil nos últimos anos. Em dado momento, um comentarista sobre política e economia disserta a respeito da divisão do planeta do ponto de vista do desenvolvimento. Fala sobre o Primeiro Mundo e as ótimas condições em que tais países se encontram. Depois fala sobre o Terceiro Mundo, abordando países pobres da África, Ásia e América Latina. Ressaltou que o chamado “Segundo Mundo” deixou de existir quando do desmembramento da União Soviética, no início dos anos 90. Pouco depois, voltando o tema da divisão do planeta para o Brasil, ele disse que “já não estamos mais no Terceiro Mundo, mas sim, NO LIMBO entre o Primeiro e o Terceiro Mundo”. Não deu para entender mais nada.

Mesmo sem querer, fui obrigado a pensar na matéria que assistira antes sobre a Suécia. Tentei transpor a questão da natalidade e dos supermercados para nossa realidade: seria impossível aquilo ocorrer por aqui. Cada pessoa passaria a ter uns 20 filhos e os supermercados iriam todos à falência. Nosso povo não está socialmente preparado para medidas assim. Infelizmente não está.

Façamos então uma profunda reflexão sobre o que disse o comentarista disse: Estamos mesmo “no limbo”? Será mesmo?

É inegável o avanço do país nos últimos anos. Ocorreram muitas mudanças positivas em quase todos os campos. Internacionalmente nunca fomos tão respeitados, o que atrai investimentos do tal Primeiro Mundo. Mas dizer que não somos mais “terceiromundistas” parece piada. E de péssimo gosto.

Vemos cada coisa pela rua e pela mídia. Acontecimentos que nos deixam pasmos cada vez mais. Crimes, corrupção, preconceito, intolerância, violência gratuita, falta de cultura e etc. Será que estamos no tal limbo ou foram os outros países que pioraram sua situação? Fico com a segunda opção, sem dúvida alguma. Estamos tão bem assim “na foto”? Acho que não. Esse negócio de limbo não existe. Na minha opinião, podemos nos classificar como “dos males o menor”, por mais que possa doer em mim dizer isso. Desistir não pode fazer parte do nosso vocabulário. E por mais que eu pareça incrédulo, ainda tenho esperança de que faremos desta terra um lugar melhor pra se viver. Um dia a gente chega, eu espero. Pelo menos no limbo.

Abraços

Ricardo Saldanha

O PREÇO DO TEMPO

Todas — Ricardo Saldanha @ 17:21

Queria compartilhar com vocês um fato que me causou profunda estranhesa e espanto no dia de hoje. Na verdade foi um misto de revolta e descrença…

Atualmente trabalho na parte da manhã. Tenho um intervalo de pouco mais de duas horas para descanso entre as jornadas de trabalho. Pelo fato de estar perto de onde moro, consigo ir até minha casa comer algo e descansar um pouco. Pra quem acorda muito cedo, dormir um pouquinho que seja já vale muito. Pois então…

Minha residência se localiza perto de alguns prédios públicos, orgãos governamentais da esfera do poder municipal. No dia de hoje, quando chegava em casa por volta de 9:45 da manhã, percebi que em um desses prédios havia uma empresa (ah, as empreiteiras…) prestando um serviço de reforma da pintura. Prefiro não divulgar o nome do orgão e nem da empresa por questões óbvias. Voltando ao relato: um rapaz de aproximadamente trinta anos e que parecia ter saúde perfeita preparava uma janela para receber nova pintura. Enquanto ele lixava a abertura conversava com seu colega que acredito ser seu auxiliar, pois a dita janela era um pouco alta, tornado-se necessário o uso de uma escada para realizar o serviço a contento e de forma mais prática e rápida. Repito que neste momento eram 9:45. Como tenho meio que nas veias essa coisa de “fiscalizar” o que acontece com o “nosso” dinheiro (sim, eu sou chato! hehehe), prestei bastante atenção no serviço que o rapaz fazia. Reparei no que ele já havia feito e diria que “estipulei” o tempo que eu mesmo levaria pra realizar a mesma tarefa que ele. Fui para casa.

Por volta de 11:15 tornei a passar pelo mesmo local, desta vez retornando para finalizar minha jornada de trabalho após meu intervalo. Minha surpresa: os dois funcionários da tal empreiteira estavam lá no mesmo local sentados fumando e falando de futebol. Não condenei-os pelo fato de saber que este tipo de trabalho é bem cansativo, sendo necessário descansar um pouco pra continuar, até para uma boa realização. Peguei meu ônibus e fui trabalhar.

Após finalizar meu trabalho, fui para casa e passei pelo mesmo local pela terceira vez às 14:00. Foi decepcionante ver que a tal janela ainda estava exatamente do mesmo jeito que vi pela primeira vez nesta manhã. Mais de quatro horas depois! Ah, e antes que perguntem: os funcionários estavam lá sim… sentados no mesmo local conversando.

Fazendo um raciocínio mais amplo comecei a pensar no quanto estamos cercados de coisas deste tipo: morosas e desinteressadas. Pensei nas obras de duplicação de estradas que por demorarem demais, tiram vidas de algumas e tomam o tempo de outras. Pensei nos hospitais que não tem leitos suficientes para nos atender pelo fato das tais empreiteiras levarem, em alguns casos, até o dobro do tempo para concluir obras simples e vitais. E poderia ficar aqui o dia inteiro falando de coisas do tipo.

Meu raciocínio foi ainda mais além: pensei nos parlamentares que passam um ano inteiro sem aprovar um projeto que seja. Pensei na empresa (95% municipal) onde trabalho já fazem três anos e meio, em que DESDE SEMPRE o quadro de funcionários está defasado em relação às necessidades para que ela funcione plenamente prestando um bom serviço para a população que já paga bem caro por ele. Pensei… Pensei… Pensei… Quase enlouquecedor ficar cogitando o quanto nosso país seria melhor para todos se houvesse mais vontade naqueles que são votados e mais capacidade de indignação naqueles que votam.

Por quanto tempo ainda seremos vítimas de situações desse tipo? E se pudéssemos converter todo esse atraso em dinheiro, qual seria o tamanho do montante? Quanto custa nosso tempo? Quanto? Se alguém souber dizer, tenho interesse de vender alguns desses minutos meus (que perdi para os governos lentos e inertes) pra comprar um carro e uma casa nova. Mas certamente o meu tempo não vale tanto quanto o deles. E o mais incrível: sou eu quem os paga. Pago caro. Pago caro pelo tempo deles para gastarem meu tempo a toa. Quem pagará pelo meu tempo?

AbraçoS AuditivoS

Ricardo Saldanha

Começando 2010 ainda em 2009…

Todas — Milton Morales @ 21:28

Como quase todas as pessoas, também fiz as minhas promessas para este ano, entre elas, escrever mais no blog da AuditivA… e o mais interessante é que sou blogueiro de carteirinha… tenhos 2 blog´s, escrevo eventualmente em outros, enfim, não deveria ser tão difícil escrever no blog da própria banda, não é verdade? Pois é, mas é, ainda mais quando se tem a sensação de que talvez se escreva tanto em tantos lugares, que falte assunto para mais um… e essa sempre foi a minha sensação…

… por outro lado, embora tenha pensado em eventualmente postar aqui textos que posto em outros lugares, tenho de confessar que essa idéia nunca fez a minha cabeça… não gosto de me repetir, quanto mais quando o espaço aqui é outro, diferente dos espaços onde escrevo sobre os temas mais diversos… dessa forma, terei de ser mais criativo, afinal, fiz a minha promessa e terei de cumprí-la… hehehe

… agora, ainda que já estejamos em 2010, que estar escrevendo hoje seja uma promessa para 2010, não tenho como começar minha participação no blog doutra forma que não escrevendo sobre 2009, o ano que conhecí e me tornei parte da Família AuditivA…

… muito embora isso possa ser comum para muitos músicos, eu fui convidado para fazer um teste com a AuditivA através do orkut… nunca tinha sido chamado para qualquer coisa do gênero pelo orkut… quando era convidado para algumas coisas, normalmente era por email… mas pelo orkut, sei lá, confesso ter achado estranho, embora, por outro lado, fosse tremendamente comum… é até estranho tentar explicar a minha estranhesa, mas, mesmo assim, dei retorno ao Thiago – quem me contatou, o encontrei para conversar e marcamos um ensaio para “ver no que que dava”…

… nas duas semanas seguintes, as que precederam o ensaio, lembro-me de pensar que gostaria de fazer um ensaio-teste como nunca tinha sido feito na minha banda… sabe, eu achava esquisito quando fazíamos um teste – fiquei numa mesma banda durante 13 anos, e o cara chegava lá e tocava apenas 2 músicas daquelas combinadas… no meu caso, procurei fazer o contrário: chegar no ensaio afiado, tocando como se tocasse as músicas há muito tempo (não esqueçam que não estou falando de cover´s, de músicas conhecidas, mas sim das músicas do CD TODOUVIDOS, que eram novidade pra mim)… e acho que foi isso que consegui fazer no meu ensaio-teste, “tocar tocando de verdade”…

… contudo, o que eu não esperava ver foi a sintonia que todos tivemos nesse ensaio, inclusive com o baixista que participava do teste, tanto que ele (o Gustavo) e eu entramos na banda… isso foi inesperado pra mim e esse, certamente, é um dos ingredientes que fazem da AuditivA a banda que é hoje, com a relação que temos hoje e com a interação que temos hoje… acreditem: sintonia numa banda não é algo fácil…

… assim como não é fácil quando sai uma peça, como o Gustavo, e entra outra, o Ricardo, que consegue manter a mesma freqüência… certamente fomos muito afortunados nesse sentido… eu fui, pelo menos…

… depois de 13 anos numa mesma banda, que acabou no final de 2008, e mesmo que eu estivesse começando um novo projeto no início de 2009, os últimos 365 dias me mostraram que talvez eu não fosse o mesmo hoje se não tivesse entrado na AuditivA… é claro que não tenho como saber como seriam as coisas se isso não tivesse acontecido, mas sei que o projeto que comecei teve de parar e que, sem banda, talvez eu tivesse deixado a música um pouco de lado, o que seria bastante difícil pra mim… seja como for, o fato é que entrei na AuditivA, onde encontrei grandes pessoas, profissionais de verdade focados no melhor para a banda e para todos, sem falar dos novos amigos, o que também é raro, acreditem… ;]

… depois das conquistas que tivemos em 2009, estamos prontos para colher muito mais em 2010… todos queremos viver da música e temos compromisso com essa arte, razão pela qual, não temos dúvida, 2010 será um grande ano para a banda…

… e VAMO QUE VAMO… ;]

Abraços à todos e até a próxima…

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-Share Alike 3.0 Unported License.
(c) 2010 AuditivandO | powered by WordPress with Barecity