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Release de TODOUVIDOS
Por Adilson Pereira
www.sambapunk.com.br

Neo é um daqueles músicos que misturam arte, ativismo e coragem. Muita coragem. Quando ainda estava no Rio, foi um dos fundadores do Movimento Soma. O nome diz tudo. O rapaz juntou pessoas dispostas a mudar a cena carioca. Fez diferença. Agora, a “luta” é outra. O cantor e compositor partiu para uma nova empreitada, em Porto Alegre, cidade de linda tradição roqueira. Neo (voz e violão), Thiago Shwennk (bateria), Milton Morales (guitarra) e Gustavo Torres (baixo) estão firmes e fortes à frente do grupo Auditiva e lançam agora o álbum “Todouvidos”. Em 11 faixas – baladas, rocks e viagens – os rapazes deixam claras as mais diversas referências.

“Enfrente” de cara deixa claro que a banda está aí para encarar o que for preciso. “Não é fácil esperar”, diz um trecho da letra que foi feita por Neo depois de um show do U2. E percebemos mais uma vez que estamos diante de uma rapaziada inquieta, que não fica parada. “Dia de viver”, que vem em seguida, é uma celebração roqueira, com versos simples e bem divididos embalados por um riff forte – uma fórmula que reaparece em “Como vai”. Eles reafirmam isso em “Não tenha medo de morrer”, na qual falam: “O meu destino eu traço / Eu mesmo faço”.

“Espírito livre” celebra o posicionamento do grupo e surge com um refrão que todo mundo vai aprender fácil para cantar nos shows: “Em nome do pai, do filho e do espírito livre/ Eu sou livre, eu sei amar”. Guerreiros, sim, mas também seres humanos, sujeitos de carne e osso que carregam suas angústias. Em “Do fascínio ao tédio”, a banda se aproxima do ouvinte – de forma melancólica – não com uma “lição” ou uma “convocação” para mudar o mundo. Em vez disso, eles parecem dizer que sabem o que é sofrimento. Mais tarde, com “O seu espaço”, deixam claro saber também o que é humildade.

A pegada forte se mistura a momentos viajantes em “Difícil”, música que foi feita inicialmente só com o violão e que, só mais tarde, ganhou riffs fortes. “Ponto de vista” começa com um “piiii” de secretária eletrônica para se transformar numa mensagem muito mais profunda do que aquelas que estamos acostumados a ouvir diariamente nesses aparelhinhos: “Não é porque todo mundo faz/ Que você tem que fazer/ Se pensam que você ficou pra trás/ Eles vão ver”.

Quando tudo parecia pronto, surgiu “Em memória e inocência”. Composta durante as gravações do disco, ela traz nas entrelinhas e nos acordes a emoção de uma homenagem a um garoto injustamente fuzilado pela polícia. Prova de que estamos diante de uma banda atenta. Que sente. E tem peito para dizer o que pensa.



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